expressão voluntária

terça-feira, novembro 15, 2005

"Pasárgada"




“Pasárgada” era um lugar imaginário. Por lá as pessoas se conheciam e se amavam, se ajudavam e se queriam bem, aliás, o melhor possível uma para com as outras. Quando por lá eu estive, reparei que o ar era puro e que toda sorte de animais selvagens caminhava despreocupadamente por todas as direções. Animais estes, que me pareciam estar vorazes e famintos quando iam a norte, mas que quando regrediam, já em minha direção, isto é, ao sul de onde estavam, me pareciam tranqüilos e satisfeitos. Em certo momento me atentei para as ruas daquela lindíssima cidade, e elas reluziam, isso mesmo, reluziam de uma assepsia impagável. Finalmente olhei-me, estava nu, bem como as pessoas de lá, e é até engraçado, porque em meus olhos refletiam suas almas. Detectei pureza e respeito por onde olhava e foi então que me senti deslocado, uma vontade incontrolável de correr apoderou-se de mim, procurava a saída, queria ir pra casa. Aquilo era diferente de tudo que eu conhecia. Quando entendi que estava preso, não levei uma década para incutir nas pessoas daquele lugar os sentimentos, os conceitos e os hábitos que existiam dentro de mim. Foi quando nasceu em “Pasárgada”, um mal que se tornaria crônico e sagaz.

1 Comments:

At 8:39 PM, Anonymous Anônimo said...

a insustentável leveza do ser, meu amigo... a insustentável levaza do ser!

muito bom o texto, continue a escrever!!
abraços =)

 

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