expressão voluntária

terça-feira, dezembro 05, 2006

“Nasa planeja construir base permanente na Lua”, e daí?

Quando ouvimos termos que remetem à tecnologia espacial, logo nos lembramos da Nasa – gigante do setor, a maior e a mais notável há décadas – e ficamos contentes com a percepção de que o ser humano é de fato um ser incrível, com poderes galácticos. A nostalgia daquele 1967 ainda é contagiante, que belo, que estupendo chegarmos até a lua. Fora o acontecido mais uma manobra estratégica entre as várias ocorridas durante a quentíssima “Guerra Fria”, e a não ser a poderosa nação norte americana, ninguém mais lucrou com o êxito da missão. Contudo, enquanto o evento astronômico (em sentidos diversos) ocorria, homens, mulheres, jovens e crianças de todo o mundo ficavam paralisados frente à TV, embasbacados com o que viam. No dia seguinte ao sonho vivido, o pão continuava a ser escasso, a vida permanecia difícil, a miséria injustificável ainda era latente e o mundo não mudara, embora a lua ganhasse um nobre enfeite. Neste ponto, uma constatação. O Primeiro Mundo entende o desenvolvimento científico como preterível em relação ao humano. Os gastos com pesquisas cosmológicas superam qualquer subsídio à países periféricos. Nossa inquieta África, berço de civilizações antiqüíssimas, permanece em transe, cada vez mais doente e fraca, implorando por ajuda, por compaixão, por comida. A pólvora tempera um ambiente de conflitos, guerras, morte e incompreensão. A desorganização civil continua seu convívio cego com governos corruptos e escarnecedores. Ruandenses, etíopes, toda sorte de nativos da negra África Sub-saariana, em sua esmagadora maioria, não se situam em qualquer patamar que indique alguma dignidade.
Em meio ao caos, o ser humano ocidental parece não considerar os africanos como sendo de sua mesma espécie. E agora anuncia um plano de proporção considerável em relação ao progresso da exploração do espaço. Aqueles bilhões de dólares que poderiam humanizar e trazer algum alívio a milhões de seres humanos, serão utilizados para construção de uma base lunar. O homem olha para o espaço, e parece ignorar o que acontece bem ao seu lado. È inacreditável a forma como o ser humano perdeu a noção de solidariedade e compaixão quando um grupo de pessoas passou a conviver com a mesma noção de nacionalidade. Além das fronteiras da cultura, da etnia, da língua, existe um ponto de congruência entre todos os seres humanos da Terra. Mas é indiferente, afinal de contas, o capitalismo é mesmo selvagem.

2 Comments:

At 12:15 AM, Blogger Bahasi said...

Palmas!
Selvageria animal transportada e dissimulada pela inteligência do humano do animal planet!

 
At 1:58 AM, Anonymous Anônimo said...

RUBENS A GENTE TEM Q ENCARAR ALGUMAS REALIDADES.É Muito importante para o capitalismo este tipo de projeto como os da nasa,
ou seja, eles precisam ter algo novo em q investir ,um novo marketing:* peças a serem inventadas e muito lucradas

*tecnologia e avanço a serem exportados

*e tmb aquela forte martelamento
em nossa cabeças cegas: somos ainda
SUB-DESENVOLVIDOS.


então cara há coisas q precisam acontecer, outras são meramente rídiculas:MARCOS PONTES NO ESPAÇO,
isso sim é dinheiro mal planejado.
E ENTÃO A IDA DELE AO ESPAÇO MUDOU OQ EM NOSSA TECNOLOGIA NA ASTRONOMIA,SIMPLESMENTE NÃO HOUVE MAIORES MUDANÇAS EM TERMOS DE INVESTIMENTO NO NOSSO PODER DE PARTICIPAÇÃO NA ASTRONOMIA ,NEM
SE QUER TEMOS RECONHECIMENTO LÁ
FORA. OQ? O MARCELO GLEISER? ELE
,SAIBA DISSO,ESTUDOU LÁ FORA .TÁ
AI A DIFERENÇA.
10\01\07

 

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