expressão voluntária

terça-feira, janeiro 31, 2006

Se as mulheres fossem flores,
algumas seriam rosas : cheirosas, delicadas, suaves; outras cáctus : feias (!), imponentes, ásperas, desagradáveis ... de certo existiriam muitas outras variedades, entretanto, todas precisariam de cuidado, de suprir certas carências, de ajuda! Algumas desejariam apenas serem regadas e postas em lugar adequado para viver. Já outras não só desejariam serem regadas e bem situadas, como fariam imprescindível o tipo de água e intensidade de calor que melhor lhes conviesse, gostariam de ter mais que as outras. E como não esquecer daquelas que mesmo tendo um jardineiro fiel as suas vontades, se deixariam regar por outros que atravessassem seu caminho? Seriam, sem dúvida, as ditas traiçoeiras. Em um jardim que as reunisse, haveria a olho nu algumas disparidades: umas bem sujas e ressecadas em contraste a outras muito limpas e bem cuidadas; algumas cercadas por água de esgoto, outras por água mineral puríssima... e claro ! Aquelas que produziriam seu alimento além da necessidade em contraposição às que não produziam nada, fracas e sem esperança de dias melhores. Viríamos o jardim e perceberíamos um mundo bem semelhante ao nosso. Nós homens, teríamos o papel de jardineiros... disputaríamos a melhor das flores para regar e cuidar, e naturalmente, haveria os ricos, com os melhores regadores e utensílios de jardinagem e os pobres, com regadores sem muita eficiência e utensílios escassos. E como podemos ver ao nosso redor, é bem possível que os opostos não se atrairiam, repelir-se-iam.

terça-feira, janeiro 24, 2006

Peleando na caminhada da vida, sendo chefiado único e exclusivamente pelo meu eu, deparei-me já com certas situações ao menos improváveis. Não, não tive com quem contar ajuda, ao menos pensei não ter. Diante do fato, segui-me como de costume. É estranha a sensação que pode, ou não, ser experimentada em decorrência de uma decisão. Houve opções, duas melhor dizendo, fiz o que julguei mais conveniente ! O certo e o errado nessas horas são apenas teoria, convenção, senso e podem confundir-se por um certo tempo. Às vezes o errado nos parece o correto, já diziam os precursores do movimento “unilateral erradista” que o proibido é sempre o mais gostoso ! Se assim o é, corretíssima a decisão errada. Viva o prazer, o bem-estar, as emoções.... o viver sendo experimentado livremente, tornando o ser um subordinado de si !

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Há tempo, há chance, mas não há vontade.
Tudo acontece, ela dorme.
Não enxerga, não percebe.
Sabe que é preciso, mas é tanta a falta de ânimo, que adia.
Passa-se um bom e demorado tempo, ela ainda descansa.
Acorda de repente, encontra-se perdida e sem rumo.
Consente que adiou em demasia.
E a preguiça é tanta, que não digna-se a tentar consertar seu erro.
De fato não o faz, continua a dormir.
É chegada a hora de partir, ela olha ao seu redor e sente que poderiater sido diferente, mas é tarde.
Morre para o mundo tal qual o mundo morreu para ela.
Mais um alienado expira de nossa sociedade.



É tempo de vitória, é tempo de luta. Levante-se, arme-se e lute. Não seja levado pela comodidade da ignorância. Procure crescer sempre,e ao sentir-se satisfeito, assegure-se de ser grande.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

hmm... eis um escrito do mestre



“Padre Luís, uma menina que deixa as bonecas para ir decorar mecanicamente alguns livros mal escolhidos; que interrompe uma lição para ouvir contar uma cena de namoro; que em matéria de arte só conhece os figurinos parisienses; que deixa as calças para entrar no baile, e que antes de suspirar por um homem, examina-lhe a correção da gravata, e o apertado do botim; padre Luís, esta menina pode vir a ser um esplêndido ornamento de salão e até uma fecunda mãe de família, mas nunca será uma mulher.”


Fala do personagem Estevão em “A mulher de preto”, conto de Machado de Assis Publicado em Contos fluminenses (1870)