expressão voluntária

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Linda, estupidamente linda.
Inteligente, às vezes, só quando quer.
Sincera, até demais, chega a doer tanta sinceridade.
É causa e efeito dos meus mais íntimos conflitos.
Sua voz não soa, navega suave e imponente pelos ares até meus ouvidos.
Seu corpo, escultura belíssima, resplandece a barro, naturalmente.
Seus passos, ahhh! Os passos! Trazem consigo incertezas, desejos e contendas.
E a boca? Dela escorre um manar doce, pastoso até, parece mel, talvez o seja.
Olhos, de tão grandes e vivos, emocionam o aventureiro que se presta a encará-los.
Nunca fizemos nem tivemos amor.
Queríamos que o sentimento brotasse, mas de mau, não brotou.
Hoje há tristeza, há mágoa, há rancor.
Queremo-nos bem, um bem-querer com limites.
Disse-me um dia: “viver e amar andam juntos?”, “sim”, respondi.
Hoje, diria: “claro ! Olhe pra mim,vivo incompleto, pela simples ausência de qualquer dos dois verbos”.